Segunda maior ilha de Cabo Verde, Santo Antão é também a mais montanhosa e verde do arquipélago — um contraste vulcânico entre vales férteis e encostas áridas, e um dos destinos de trekking mais recompensadores da África Ocidental.
Geografia e relevo
De origem vulcânica, Santo Antão nasceu de montanhas de basalto talhadas ao longo de milénios por uma erosão intensa, que escavou vales profundos entre picos imponentes. O ponto mais alto é o Topo da Coroa, um vulcão inativo com 1.979 metros, seguido do Gudo de Cavaleiro (1.811 m) e do Pico da Cruz (1.584 m).
A ilha tem uma área de 779 km², o que a torna a segunda maior de Cabo Verde a seguir a Santiago.
Clima: uma ilha de dois rostos
Poucos lugares mostram um contraste climático tão marcado num espaço tão pequeno. A face sudeste da ilha é quase completamente árida, com paisagens que lembram a lua. Já a zona nordeste goza de chuvas relativamente regulares, o que explica o verde intenso de ribeiras como Paúl e Janela — a poucos quilómetros de distância uma da outra.
Um pouco de história
Santo Antão foi descoberta a 17 de janeiro de 1462 pelo navegador português Diogo Afonso. A colonização efetiva só começou em 1548, e teve, nas suas primeiras décadas, "pouco sucesso" segundo os registos históricos. Foi já no século XVII que a vila da Ribeira Grande foi fundada, povoada por colonos vindos de Santiago e do Fogo, as ilhas vizinhas mais antigas do arquipélago.
População e concelhos
A ilha tem cerca de 47.500 habitantes, conhecidos como santantonenses, distribuídos por três concelhos: Porto Novo, Ribeira Grande e Paúl. Porto Novo é o maior centro urbano, com cerca de 17.000 habitantes, e funciona como a principal porta de entrada da ilha — é ali que atraca o ferry vindo de São Vicente.
Ribeira Grande, no norte, é a vila histórica da ilha, enquanto o concelho do Paúl concentra parte da agricultura mais fértil, nos vales encaixados entre montanhas.
Economia e agricultura
A agricultura de subsistência continua a ser central na vida da ilha, com destaque para a cana-de-açúcar, o inhame, a mandioca, a banana, a manga e o milho, cultivados em socalcos talhados nas encostas mais húmidas. É também da cana-de-açúcar que se destila o grogue, a aguardente artesanal mais popular de Cabo Verde.
A pesca tem também um papel importante na economia local, e em Porto Novo é explorada industrialmente a pozolana, uma rocha vulcânica usada na construção civil.
Estradas que valem a viagem
Chegar a Santo Antão e circular pela ilha faz parte da experiência. O porto de Porto Novo, inaugurado em 1962, recebe o ferry vindo de Mindelo, em São Vicente, através do Canal de São Vicente. A partir daí, duas estradas destacam-se pela paisagem:
A histórica Estrada da Corda, empedrada e cheia de curvas, atravessa o interior montanhoso e liga os vales do norte com vistas vertiginosas sobre as ribeiras. Já a Estrada Litoral Porto Novo–Janela, inaugurada em 2009, percorre 23 km de costa, com dois túneis rodoviários escavados na rocha vulcânica.
A ilha teve também um aeródromo, o Agostinho Neto, em Ponta do Sol — atualmente desativado, o que faz do ferry a única via de acesso marítimo-aéreo combinada até à ilha.
Curiosidades
O extremo oeste de Santo Antão é considerado por muitos geógrafos o ponto mais ocidental de todo o continente africano. E, desde 1999, tem-se registado uma contínua elevação da temperatura da água do mar à volta da ilha, um fenómeno que os vulcanólogos associam à possibilidade de futura atividade vulcânica na região.
No dia a dia, fala-se o crioulo cabo-verdiano, numa variante local própria da ilha, diferente da falada em Santiago ou São Vicente.
Fonte de dados: Wikipédia — Ilha de Santo Antão