Arrebatador é a palavra que melhor descreve este trilho: mais de 15 km caminhando quase sempre entre o mar e escarpas vertiginosas, considerado por muitos caminheiros e guias locais um dos melhores — senão o melhor — trekking de Santo Antão.
O percurso liga a vila da Ponta do Sol, no norte da ilha, à aldeia de Cruzinha, atravessando aldeias suspensas nas montanhas e vales talhados pela erosão. O piso está, de um modo geral, bem cuidado, mas há troços de subida e descida acentuados que exigem preparação física e calçado adequado.
O percurso, passo a passo
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Ponta do Sol — o início O trilho arranca junto ao cemitério local, à saída da vila. Logo nos primeiros metros há uma subida íngreme, seguida de um troço onde se avistam as pocilgas tradicionais construídas nas escarpas viradas ao mar — é ali que se criam os porcos de Santo Antão.
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Fontainhas Cerca de 3 km depois, quase sempre a subir, surge uma das aldeias mais fotografadas de Cabo Verde. A edição espanhola da National Geographic já a elegeu uma das aldeias com melhor vista do mundo — encaixada na montanha, com o mar como pano de fundo.
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Corvo A saída de Fontainhas é feita por um troço muito íngreme conhecido como "Via-Sacra", com marcações que evocam as 14 estações da Via-Crúcis — para quem caminha em sentido contrário, é uma subida exigente. A descida leva à pequena povoação do Corvo, encaixada no fundo do vale, com socalcos agrícolas talhados na encosta.
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Formiguinhas — paragem para almoço Sensivelmente a meio do percurso, esta aldeia tem restaurantes locais simples (como o Izabel) onde é possível almoçar comida cabo-verdiana — normalmente frango ou peixe, consoante a disponibilidade do dia.
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Aldeia abandonada e Praia d'Aranhas Depois de Formiguinhas terminam as grandes subidas: o trilho segue junto ao mar, passando pelas ruínas de uma aldeia abandonada (Chã de Mar) e junto à Praia d'Aranhas — bonita, mas com correntes fortes e não recomendada para banhos.
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Cruzinha — chegada O trilho termina na aldeia de Cruzinha, já servida por estrada asfaltada e com alguma arte urbana pelas fachadas. É aqui que termina a caminhada, normalmente ao fim de umas 5h45, incluindo a paragem para almoço.
Em que sentido caminhar
A generalidade dos caminheiros — incluindo vários grupos vistos a fazer o percurso em sentido contrário — recomenda começar na Ponta do Sol e terminar em Cruzinha, e não o inverso. Para além de evitar subir a íngreme "Via-Sacra" logo a meio do dia, é mais fácil organizar transporte de regresso a partir de Cruzinha, que tem estrada asfaltada até à Ribeira Grande.
Como chegar e como voltar
A partir de Paúl ou da Ribeira Grande, apanha-se um táxi coletivo até à Ponta do Sol (normalmente com troca de veículo na Ribeira Grande). No final, em Cruzinha, o regresso costuma ser feito de coletivo ou, com alguma sorte, boleia de operadores turísticos locais até à Ribeira Grande.
Relato de trilho adaptado de Filipe Morato Gomes, Trilhos & Outdoor / Alma de Viajante.