A maioria dos visitantes vem a Santo Antão pelas montanhas e esquece-se de que a ilha também tem mar. Geri durante alguns anos o centro de mergulho Santo Antão Scubadiving, e o que vi debaixo de água convenceu-me de que vale a pena reservar pelo menos um dia da viagem para isso.

Arlindo Monteiro

Escrito por Arlindo Monteiro

Natural de Santo Antão · Ex-guia turístico e de mergulho na ilha

Porque mergulhar em Santo Antão

Santo Antão não tem a fama de mergulho do Sal ou da Boavista, e é precisamente por isso que vale a pena. Os recifes são bem menos visitados, a vida marinha é mais abundante em certas zonas, e há uma sensação genuína de estar a explorar algo que poucos mergulhadores viram. Em troca, a infraestrutura é mais limitada: não espere a variedade de centros de mergulho de outras ilhas, e algumas zonas exigem mais experiência do que um mergulho de férias habitual.

Principais zonas de mergulho

Ribeira Grande

A costa junto à Ribeira Grande é a mais protegida da ilha, com água geralmente mais calma e clara. É a zona que recomendo a quem está a aprender ou tem menos experiência, com boas condições para batismos de mergulho e mergulhos de dia.

Tarrafal de Monte Trigo

Mais a sul, ao largo de Tarrafal de Monte Trigo, a vila mais isolada da ilha, as águas ficam mais expostas ao Atlântico aberto. As correntes são mais fortes e imprevisíveis, e esta zona é indicada apenas para mergulhadores com experiência real, não apenas um certificado na carteira.

Costa norte, perto de Janela

A costa norte da ilha, na zona da Janela, tem alguns dos recifes mais intactos que já vi, precisamente por ser das zonas menos mergulhadas. Também aqui as correntes exigem respeito, esta não é uma zona para o primeiro mergulho de uma vida.

Um agricultor de Chã de Igreja disse-me uma vez: "vocês vão para debaixo de água à procura do que nós encontramos nas montanhas." Talvez tenha razão.

Vida marinha

Nos recifes de Santo Antão é comum encontrar garoupas, moreias e cardumes densos de peixe recife. Em mergulhos mais ao largo, já vi mantas-raias a passar silenciosamente sobre o grupo, um dos momentos mais marcantes que vivi debaixo de água em toda a minha carreira de guia. Tartarugas marinhas também aparecem com alguma regularidade, sobretudo nas zonas mais calmas junto à costa.

Quando mergulhar

A água mantém-se morna durante quase todo o ano, entre 22°C e 26°C, com temperaturas mais altas entre agosto e novembro. A visibilidade costuma ser melhor fora da época de maior agitação do mar, entre novembro e maio. Em qualquer altura do ano, converse com o instrutor sobre as condições do dia específico, elas mudam mais depressa do que se imagina neste Atlântico.

O que precisa de saber antes de mergulhar

Procure sempre um centro de mergulho licenciado e converse sobre o seu nível de experiência antes de escolher a zona. Se não tem certificação, é possível fazer um mergulho batismo com um instrutor, normalmente limitado a zonas mais protegidas como a Ribeira Grande. Se já é certificado, leve o seu cartão (PADI, SSI ou equivalente) e o livro de registos de mergulhos, alguns centros pedem para confirmar experiência antes de zonas mais expostas. Traga o seu próprio equipamento de máscara e snorkel se tiver, mas o essencial (BCD, regulador, garrafa) é normalmente fornecido pelo centro.